Tudo sobre MENOPAUSA: Calor, Libido, Testosterona, Reposição Hormonal, Tratamentos sem Remédio.

Tudo sobre MENOPAUSA: Calor, Libido, Testosterona, Reposição Hormonal, Tratamentos sem Remédio.

O que é a Menopausa e o Diagnóstico A menopausa é definida clinicamente como a data da última menstruação da mulher. O diagnóstico é feito de forma retrospectiva, após a paciente passar 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não existam outras causas patológicas. Existe também o período de transição menopáusica (perimenopausa), onde os hormônios oscilam, causando sintomas antes mesmo da interrupção total do ciclo. O principal marcador laboratorial utilizado é o hormônio folículo-estimulante (FSH), que tende a estar elevado (geralmente acima de 25 em duas dosagens), embora o diagnóstico seja majoritariamente clínico, baseado nos sintomas da paciente.

Sintomas Clássicos e Sistêmicos O sintoma mais característico são os fogachos ou ondas de calor (sintomas vasomotores), causados pela queda do estrogênio, que afeta o controle térmico no cérebro. Além disso, a queda hormonal pode causar a síndrome geniturinária, resultando em secura vaginal, dor na relação sexual e perda urinária. Outros sintomas citados incluem queda de cabelo, unhas fracas, dores articulares, alterações no sono, cansaço, irritabilidade e ganho de peso. Embora a depressão e a ansiedade possam surgir ou piorar nesse período, a reposição hormonal não é o tratamento primário para transtornos emocionais.

Indicações e Contraindicações da Reposição Hormonal A terapia de reposição hormonal (TRH) é indicada principalmente para o alívio de sintomas que prejudicam a qualidade de vida, como os fogachos e a síndrome geniturinária. Ela não deve ser usada rotineiramente para estética ou prevenção de doenças como demência e câncer. É contraindicada para mulheres que já tiveram câncer de mama, infarto, AVC, trombose ou que possuem placas de aterosclerose significativas. Existe uma “janela de oportunidade” ideal para iniciar o tratamento, geralmente até os 60 anos ou dentro de 10 anos após o início da menopausa, visando a segurança cardiovascular.

Tipos de Hormônios e Vias de Administração O estrogênio é o hormônio responsável por tratar a maioria dos sintomas. Para mulheres que ainda possuem útero, é obrigatório o uso associado da progesterona apenas para proteger o endométrio. O estrogênio pode ser administrado por via oral (comprimidos) ou transdérmica (gel ou adesivo). A via transdérmica é considerada mais segura, pois evita a primeira passagem pelo fígado, reduzindo o risco de eventos tromboembólicos. O estrogênio tem um papel protetor nas artérias saudáveis ao estimular o óxido nítrico, mas pode ser prejudicial em artérias já doentes.

Testosterona e Implantes Hormonais (Chips) A testosterona não é considerada uma reposição padrão na menopausa e sua única indicação formal é para casos de libido muito baixa, ainda assim com cautela. Dosar testosterona em mulheres não costuma ter valor clínico para diagnosticar “falta”, mas sim excesso. O uso indiscriminado pode causar acne, aumento do clitóris, engrossamento da voz e riscos cardiovasculares. Quanto aos implantes hormonais (chips) e à gestrinona, os médicos ressaltam que não possuem respaldo das sociedades médicas brasileiras por falta de estudos de segurança e dificuldade de remoção em caso de efeitos colaterais graves.