Identificar uma dor no peito preocupante é fundamental para salvar vidas. Neste vídeo, apresento sete características principais que ajudam o cardiologista a diferenciar uma dor comum de uma dor cardíaca grave. Compreender esses sinais permite que você procure ajuda médica no momento certo e evite complicações maiores.
O tipo e o padrão da dor
Quando falamos sobre o tipo de dor, analisamos o padrão que o paciente descreve. As queixas mais comuns envolvem sensações de aperto, pontada ou queimação. Muitos pacientes relatam um peso enorme, como se houvesse um elefante pisando no peito. Esse sinal clássico, em que a pessoa leva a mão fechada ao tórax, é conhecido como sinal de Levine.
Embora dores em “faca” ou “agulhada” sejam frequentemente associadas a problemas musculares, elas também exigem atenção. Uma dor muito aguda pode indicar problemas graves como a dissecação da aorta. Por isso, a recomendação médica é que toda dor no peito seja investigada até que se prove a sua causa. Felizmente, grande parte dos casos não tem origem cardíaca, sendo causados por gases, gastrite ou dores musculares.
Localização e irradiação da dor
A localização da dor é um ponto crucial na avaliação médica. É necessário identificar se o desconforto ocorre no peito, nas costas, no estômago ou até na mandíbula. Uma regra importante para memorizar: qualquer dor que ocorra entre a orelha e a “boca do estômago” pode ter origem cardíaca.
Frequentemente, pacientes confundem um sintoma de angina com uma dor de estômago ou gastrite. Houve casos de pacientes que sofreram infartos e acreditaram ser apenas um mal-estar digestivo. Além disso, o infarto pode causar dor no lado direito do peito, nos ombros ou nos braços. Portanto, não ignore desconfortos nessas regiões, mesmo que pareçam distantes do coração.
Momentos em que a dor aparece
Investigar o gatilho da dor ajuda a fechar o diagnóstico. O médico perguntará se o sintoma surge durante o stress, após as refeições, ao deitar ou durante o exercício físico. Dores que aparecem ao subir uma ladeira, correr ou durante a atividade sexual são muito preocupantes para o cardiologista.
Por outro lado, dores que melhoram ao mudar de posição ou que surgem apenas ao comer muito rápido podem indicar causas posturais ou gástricas. No entanto, se o esforço físico ou discussões acaloradas desencadeiam o aperto no peito, a investigação cardiovascular torna-se urgente. O coração exige mais oxigénio nesses momentos, e a dor sinaliza que algo pode estar obstruído.
Duração dos episódios de dor
A duração do sintoma é um indicador relevante. Dores que duram apenas alguns segundos ou que persistem por dias inteiros costumam ser menos típicas de infarto. O padrão clássico da angina ou do infarto geralmente dura entre 5 a 20 minutos. É uma dor que muitas vezes cresce em intensidade e depois diminui gradualmente.
Contudo, uma dor que ultrapassa os 20 minutos e não cessa exige cuidado imediato. Existem também casos onde a dor vai e volta ao longo do dia, piorando em cada episódio. Esse padrão de “melhora e piora” é um sinal de alerta severo. Se você notar que o desconforto segue esse ritmo de minutos, procure assistência médica rapidamente.
Sintomas associados ao desconforto
Dificilmente uma dor cardíaca grave vem sozinha. O médico busca pelo “combo” de sintomas que acompanham o aperto no peito. O suor frio é uma das manifestações que mais assusta e chama a atenção da equipa médica. Além disso, a palidez súbita e a sensação de náusea ou vómitos são sinais frequentes em casos de infarto.
Outros sinais importantes incluem a sensação de desmaio e alterações bruscas na pressão arterial, que pode subir ou cair drasticamente. Se uma dor no peito vier acompanhada de suor frio e náuseas, a probabilidade de ser algo cardíaco aumenta consideravelmente. Em contrapartida, uma dor sem esses acompanhamentos em um paciente jovem tende a ser avaliada com menor suspeita inicial.
Histórico pessoal e familiar
O histórico do paciente define o nível de risco. Pacientes com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou obesidade possuem maior probabilidade de enfrentar problemas cardíacos. O tabagismo é outro fator que eleva drasticamente o risco de infarto. O médico precisa saber se você já utiliza stents ou se possui doenças crónicas diagnosticadas.
A genética também desempenha um papel fundamental. Se o seu pai, mãe ou irmãos tiveram infartos precoces (antes dos 50 ou 60 anos) ou morte súbita, o seu cuidado deve ser redobrado. Atender um paciente com histórico familiar e diabetes é totalmente diferente de atender alguém sem esses fatores. Conhecer o seu passado de saúde ajuda a interpretar a dor atual com mais precisão.
Factores de melhora da dor
Por fim, analisamos o que faz a dor cessar. A dor da angina típica melhora quando o paciente entra em repouso. Se a dor surge ao jogar futebol ou durante um stress e desaparece assim que a pessoa para a atividade, isso é um sinal clássico de obstrução nas artérias. O repouso diminui a carga de trabalho do coração, aliviando o sintoma.
Se a dor não melhora com o descanso ou se acontece de forma aleatória, independentemente do que você esteja a fazer, a suspeita cardíaca pode diminuir, mas não desaparece. É vital usar o bom senso: dores que surgem especificamente ao forçar um músculo na musculação costumam ser musculares. No entanto, em idosos com fatores de risco, qualquer mal-estar súbito deve ser tratado como prioridade.
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