Você sabia que quase um quarto da alimentação dos brasileiros já é composta por produtos ultraprocessados? O consumo desses itens mais que dobrou desde os anos 80, saltando de 10% para 23% das calorias totais. Recentemente, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que proíbe esses alimentos em hospitais brasileiros. Essa medida destaca a urgência de discutirmos como essa alimentação afeta a sua saúde cardiovascular.
O que define um alimento ultraprocessado?
Os alimentos ultraprocessados (classificados como grupo 4 no sistema NOVA) não são comida de verdade, mas sim formulações industriais. Eles contêm substâncias extraídas de alimentos, como óleos, gorduras, amidos e açúcares, além de ingredientes de uso exclusivamente industrial (como xarope de milho de alta frutose, óleos hidrogenados e isolados proteicos). Além disso, a indústria adiciona corantes, aromatizantes e realçadores de sabor para tornar o produto palatável. Exemplos comuns incluem biscoitos recheados, macarrão instantâneo, refrigerantes e pratos congelados prontos para o consumo. O objetivo desses aditivos é tornar o produto hiperpalatável, com longa durabilidade e alta lucratividade.
O mecanismo de dano ao sistema cardiovascular
Cientificamente, o perigo reside na alta densidade energética e na baixa qualidade nutricional. O excesso de sódio eleva a pressão arterial e sobrecarrega os rins e o coração. As gorduras saturadas e trans presentes nesses itens promovem a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose). Além disso, o alto índice glicêmico provoca picos de insulina, o que pode contribuir para inflamação crônica nos vasos sanguíneos. Outros mecanismos incluem disbiose da microbiota intestinal (causada por adoçantes artificiais e emulsificantes), estresse oxidativo, disfunção endotelial e calcificação arterial (associada a sais de fosfato inorgânico). Esse conjunto de alterações aumenta significativamente o risco de infarto e AVC.
Meta-análises de estudos prospectivos demonstram que o alto consumo de ultraprocessados está associado a um risco 50% maior de mortalidade cardiovascular (RR 1,50; IC 95%: 1,37-1,63) e 66% maior de mortalidade por doença cardíaca (HR 1,66; IC 95%: 1,51-1,84).
Desigualdade alimentar e o cenário atual
Uma pesquisa recente indica que os ultraprocessados podem se tornar mais baratos que os alimentos saudáveis em 2026. Esse cenário é preocupante porque empurra a população para escolhas menos nutritivas devido ao custo. O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que a base da dieta seja de alimentos in natura ou minimamente processados. Substituir o arroz e feijão por produtos prontos pode comprometer culturas alimentares e a saúde metabólica.
Como proteger sua saúde no dia a dia
A melhor estratégia é a autonomia nas escolhas alimentares. Leia sempre os rótulos e evite produtos com listas de ingredientes longas ou com substâncias de uso exclusivamente industrial (como isolados proteicos, amidos modificados, emulsificantes e realçadores de sabor). Prefira preparar suas refeições em casa com alimentos frescos, como frutas, legumes e grãos. Limitar a publicidade agressiva desses produtos, especialmente para crianças, é outra medida vital discutida por especialistas. Lembre-se: descascar mais e desembalar menos é a regra de ouro para um coração forte.
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Referências:
- 2021 Dietary Guidance to Improve Cardiovascular Health: A Scientific Statement From the American Heart Association. Lichtenstein AH, Appel LJ, Vadiveloo M, et al. Circulation. 2021;144(23):e472-e487. doi:10.1161/CIR.0000000000001031.
- Ultra-Processed Foods and Human Health: The Main Thesis and the Evidence. Monteiro CA, Louzada ML, Steele-Martinez E, et al. Lancet (London, England). 2025;406(10520):2667-2684. doi:10.1016/S0140-6736(25)01565-X.
- Ultra-Processed Foods and Incident Cardiovascular Disease in the Framingham Offspring Study. Juul F, Vaidean G, Lin Y, Deierlein AL, Parekh N. Journal of the American College of Cardiology. 2021;77(12):1520-1531. doi:10.1016/j.jacc.2021.01.047.
- Ultra-Processed Food Exposure and Adverse Health Outcomes: Umbrella Review of Epidemiological Meta-Analyses. Lane MM, Gamage E, Du S, et al. BMJ (Clinical Research Ed.). 2024;384:e077310. doi:10.1136/bmj-2023-077310.
