A menopausa é um marco biológico inevitável na vida da mulher, mas, apesar de ser um processo natural, é cercado de mitos, inseguranças e, muitas vezes, sofrimento desnecessário. Entender essa fase não é apenas uma questão de saúde, mas um passo fundamental para manter a qualidade de vida e o bem-estar emocional e físico.
O Que é Realmente a Menopausa?
Muitas vezes, a menopausa é confundida com o período de transição ou com alterações hormonais pontuais. Tecnicamente, a menopausa é um diagnóstico clínico realizado de forma retrospectiva: considera-se que a mulher está na menopausa após completar 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não haja outras causas patológicas envolvidas.
No entanto, o sofrimento costuma começar muito antes, durante a chamada transição menopáusica. Nessa fase, os hormônios (especialmente o estrogênio) oscilam drasticamente, subindo e descendo de forma instável. Essas flutuações são suficientes para desencadear sintomas significativos, mesmo que a mulher ainda esteja menstruando.
Identificando os Principais Sintomas
O imaginário coletivo associa a menopausa quase exclusivamente ao “calorão”. Embora os sintomas vasomotores — conhecidos como fogachos — sejam o sinal mais clássico, o impacto hormonal vai muito além:
- Fogachos (O Calorão): Causado pela queda do estrogênio, que atua no controle da temperatura corporal no cérebro. É caracterizado por um calor intenso que irradia do rosto para o peito, muitas vezes acompanhado de suores noturnos que prejudicam severamente a qualidade do sono.
- Alterações na Libido: A combinação da queda hormonal com mudanças na imagem corporal e cansaço pode reduzir drasticamente o desejo sexual e a lubrificação vaginal, gerando dor na relação e impactos no relacionamento.
- Síndrome Geniturinária: A queda do estrogênio afeta a saúde do trato urinário, resultando em sintomas como perda de urina e urgência miccional, situações que frequentemente geram constrangimento.
- Saúde Geral: Queda na qualidade do cabelo e das unhas, dores articulares, fadiga e alterações de humor que podem mimetizar quadros de ansiedade e depressão.
O Diagnóstico e a Importância da Individualização
O diagnóstico da menopausa é majoritariamente clínico. Ou seja, a consulta médica, o relato da paciente e a expertise do ginecologista são soberanos.
Exames laboratoriais, como a dosagem do hormônio folículo estimulante (FSH), funcionam como aliados para confirmar o quadro, mas não devem ser lidos isoladamente. Como os hormônios flutuam durante a transição, um exame com resultado “normal” não exclui, por si só, que a mulher esteja vivenciando os efeitos da menopausa. Cada caso exige uma avaliação individualizada para excluir outras condições, como distúrbios da tireoide ou obesidade, que podem causar sintomas semelhantes.
Reposição Hormonal: Benefícios e Riscos
A terapia de reposição hormonal (TRH) não é um elixir de juventude nem um tratamento estético. Ela é uma ferramenta médica indicada para o alívio de sintomas que impactam a qualidade de vida.
Quando é indicada?
Quando o calorão, a secura vaginal ou os sintomas urinários estão comprometendo o sono, o trabalho e a rotina da paciente.
Quando é contraindicada?
Não deve ser utilizada rotineiramente para prevenir doenças como demência ou câncer. Existem contraindicações formais para mulheres com histórico de:
- Câncer de mama.
- Trombose, embolia pulmonar ou eventos cardiovasculares (infarto/AVC).
- Presença significativa de placas de aterosclerose em artérias.
O Alerta Sobre os “Chips da Beleza”
Um ponto de atenção crucial é a proliferação de implantes hormonais, os chamados “chips da beleza” ou “pallets”. Não há respaldo científico ou validação pelas sociedades médicas para o uso rotineiro desses dispositivos na menopausa.
Esses implantes apresentam riscos significativos:
- Dificuldade de controle: Uma vez inseridos, não podem ser removidos imediatamente se houver um efeito colateral grave.
- Testosterona: A testosterona não é um hormônio de reposição padrão na menopausa. Seu uso indiscriminado pode causar acne, engrossamento da voz, aumento do clitóris e, mais grave ainda, elevar o risco de eventos cardiovasculares.
- Segurança: A dose liberada por esses implantes muitas vezes é incerta, fugindo dos padrões de segurança estabelecidos pela medicina baseada em evidências.
A menopausa não é uma doença, mas uma fase que exige atenção. A reposição hormonal, quando bem indicada e acompanhada por um especialista, é uma aliada valiosa para a saúde cardiovascular e o bem-estar feminino. Contudo, a decisão deve sempre ser compartilhada entre médica e paciente, pesando riscos e benefícios baseados em diretrizes médicas sólidas.
Se você está vivenciando mudanças no seu corpo e na sua rotina, o melhor caminho é procurar um ginecologista de confiança para uma avaliação completa e individualizada. A informação correta é o primeiro passo para uma menopausa vivida com saúde e segurança.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica individualizada. Em caso de sintomas ou dúvidas, procure seu médico.
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Editor Chefe: Dr. Mozar Suzigan de Almeida, Médico Clinico Geral e Cardiologista, CRM 161706
