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Vacina contra Herpes Zoster: Ciência e Proteção para o seu Futuro

Vacina contra Herpes Zoster: Ciência e Proteção para o seu Futuro

A Herpes Zoster, conhecida popularmente como “cobreiro”, é uma reativação do vírus da catapora (Varicela-Zoster). Com o passar dos anos, nosso sistema imunológico sofre um processo chamado imunossenescência, perdendo a capacidade de manter esse vírus sob controle. Felizmente, a ciência desenvolveu uma solução altamente eficaz: a vacina recombinante inativada.

O que é a tecnologia recombinante?

Diferente das vacinas antigas, a nova vacina disponível não utiliza o vírus vivo atenuado. Ela utiliza apenas uma pequena parte da proteína do vírus (glicoproteína E), combinada com um sistema adjuvante (AS01B). Esse adjuvante serve como um “despertador” para o sistema imune, gerando uma resposta robusta e duradoura, mesmo em organismos com defesas mais lentas devido à idade.

Por que vacinar se eu já tive catapora?

Se você teve catapora, o vírus permanece “adormecido” nos seus gânglios nervosos por décadas. Quando o sistema imune enfraquece por estresse, doenças ou pelo próprio envelhecimento, o vírus “acorda” e viaja pelos nervos até a pele. A vacina atua reforçando as células T de memória, que são os soldados especializados em impedir que o vírus saia do seu esconderijo.

A prevenção da Nevralgia Pós-Herpética

O maior benefício da vacina não é apenas evitar as bolhas na pele, mas prevenir a Nevralgia Pós-Herpética (NPH). Esta é uma dor crônica, persistente e muitas vezes incapacitante que persiste após as feridas cicatrizarem. A ciência demonstra que a vacina reduz o risco de herpes zoster em aproximadamente 74-91% e de nevralgia pós-herpética em 76-89%, protegendo a integridade dos seus nervos e sua qualidade de vida.

Segurança e esquema vacinal

A vacina é administrada em duas doses, com intervalo de dois a seis meses. Por ser uma vacina inativada (sem vírus vivo), ela apresenta um perfil de segurança elevado, inclusive para pacientes imunossuprimidos que antes não podiam se vacinar com a vacina de vírus vivo atenuado. Reações locais e sistêmicas, como dor no local da aplicação, mialgia ou cansaço, são comuns e geralmente de intensidade leve a moderada, sinais de que seu corpo está construindo a imunidade necessária.

Quem deve ser vacinado contra a Herpes Zoster?

Adultos imunocompetentes com 50 anos ou mais: Série de 2 doses com intervalo de 2-6 meses, independentemente de história prévia de herpes zoster ou vacinação anterior com a vacina de vírus vivo atenuado (Zostavax).

Populações especiais (a partir de 19 anos):

Adultos imunossuprimidos ou imunodeficientes com 19 anos ou mais, incluindo:

– Pacientes com HIV (independentemente da contagem de CD4)

– Receptores de transplante de órgãos sólidos ou células hematopoiéticas

– Pacientes em uso de terapia imunossupressora (corticosteroides, tiopurinas, anti-TNF, inibidores de JAK)

– Pacientes com doenças autoimunes e inflamatórias (como doença inflamatória intestinal)

– Pacientes com neoplasias hematológicas

– Pacientes que irão iniciar terapia imunossupressora (idealmente vacinar antes do início)

Considerações importantes:

Não é necessário rastrear história de varicela ou realizar sorologia antes da vacinação.

– Pacientes que já tiveram herpes zoster devem ser vacinados, pois a doença pode recorrer.

– Em pacientes imunossuprimidos, o intervalo entre doses pode ser reduzido para 1-2 meses.

– Em candidatos a transplante, a vacinação deve ser completada idealmente 2 semanas antes do procedimento.

– Em pacientes com HIV, alguns especialistas recomendam aguardar supressão virológica ou recuperação de CD4 ≥200 células/mm³ para maximizar a resposta imunológica.

Gravidez: Não há recomendação atual do ACIP; considerar adiar até após o parto.

Episódio agudo de herpes zoster: Não vacinar durante a fase aguda.

Posso me vacinar se já tive a infecção por Herpes Zoster?

De acordo com as diretrizes do ACIP, não há um intervalo específico definido após um episódio de herpes zoster para iniciar a vacinação. A recomendação é aguardar até que a fase aguda da doença termine e os sintomas desapareçam. Embora não haja intervalo mínimo oficial estabelecido pelo ACIP, na prática clínica muitos especialistas recomendam aguardar pelo menos algumas semanas a poucos meses após a resolução completa dos sintomas, permitindo que o sistema imunológico se recupere do episódio agudo antes de receber a vacina.

Orientações práticas:

  • A vacinação deve ser adiada durante o episódio agudo de herpes zoster, pois a vacina não é tratamento para a doença ativa. [2-3]
  • Uma vez que as lesões cicatrizem e os sintomas (incluindo dor) diminuam, o paciente pode ser vacinado. [1]
  • Pacientes com história prévia de herpes zoster devem ser vacinados, pois a doença pode recorrer.

Agende sua consulta: wa.me/5511930433976

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Referências:

  1. Use of Recombinant Zoster Vaccine in Immunocompromised Adults Aged ≥19 Years: Recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices – United States, 2022. Anderson TC, Masters NB, Guo A, et al. MMWR. Morbidity and Mortality Weekly Report. 2022;71(3):80-84. doi:10.15585/mmwr.mm7103a2.
  2. Adult Vaccination. Greenberg GM, Koshy PA, Hanson MJS. American Family Physician. 2022;106(5):534-542.
  3. Adult Immunization Schedule by Age (Addendum updated July 2, 2025). Advisory Committee on Immunization Practices.
  4. Vaccination Outcomes and Recommendations Among Older Adults in a Gastroenterology and Hepatology Practice. Lutz MK, Caldera F. The American Journal of Gastroenterology. 2025;120(Suppl 10):S67-S75. doi:10.14309/ajg.0000000000003641.08.
  5. Guidelines for the Prevention and Treatment of Opportunistic Infections in Adults and Adolescents With HIV. Constance Benson, John Brooks, Shireesha Dhanireddy, et al. Infectious Diseases Society of America; Office of AIDS Research Advisory Council (2025).
  6. Recommendations for Vaccinations of Pediatric and Adult Patients – 2025. American Academy of Ophthalmology.