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COVID: Nova Variante ‘Cicada’: O Que Você Precisa Saber Sobre a COVID-19 que Voltou a Preocupar o Mundo

COVID: Nova Variante ‘Cicada’: O Que Você Precisa Saber Sobre a COVID-19 que Voltou a Preocupar o Mundo

Ela ficou em circulação discreta por quase um ano. Agora ressurgiu com 70 a 75 mutações e já circula em pelo menos 23 países. Mas o risco real é o que poucos estão explicando direito.

Toda vez que uma nova variante da COVID-19 aparece, o mundo oscila entre dois extremos: o pânico generalizado ou o descaso total. Nenhum dos dois é adequado e é exatamente por isso que este texto foi escrito.

Nos últimos dias, o nome “Cicada” começou a dominar os noticiários de saúde no mundo inteiro. Vamos ao que a ciência diz.

O Que é a Variante Cicada?

A Cicada é identificada tecnicamente como BA.3.2, uma linhagem da Ômicron. Ela foi detectada pela primeira vez na África do Sul em 22 de novembro de 2024 e, após um longo período em baixa circulação, passou a se espalhar mais rapidamente a partir de meados de 2025.

O apelido “Cicada” cigarra, em português foi dado pelo professor de biologia evolutiva T. Ryan Gregory, da Universidade de Guelph, em referência ao comportamento do inseto: assim como a cigarra fica anos “embaixo da terra” antes de emergir em massa, a BA.3.2 ficou em circulação discreta por meses antes de ressurgir com mais força.

Por Que Ela Está Chamando Atenção?

O número de mutações é o que mais preocupa os pesquisadores. A BA.3.2 apresenta aproximadamente 70 a 75 substituições e deleções na sequência genética da proteína spike a estrutura que o vírus usa para entrar nas células humanas em comparação com JN.1 e seu descendente LP.8.1, os antígenos usados nas vacinas de COVID-19 de 2025-2026.

Isso é muito. Para você ter uma ideia comparativa: a Ômicron original (BA.1) tinha cerca de 39 mutações na proteína spike. A Cicada tem quase o dobro.

O grande risco aqui não é, necessariamente, uma doença mais grave. O risco é o chamado escape imunológico que é a capacidade do vírus de “driblar” a imunidade que você já construiu, seja pela vacina, seja por infecções anteriores. As mutações na proteína spike da BA.3.2 têm o potencial de reduzir a proteção conferida por infecção prévia ou vacinação.

Onde a Cicada Já Circula?

A BA.3.2 foi identificada inicialmente na África do Sul em novembro de 2024. A primeira detecção nos Estados Unidos ocorreu em 27 de junho de 2025, através do programa de vigilância genômica baseada em viajantes do CDC, em um participante viajando dos Países Baixos para os Estados Unidos. A primeira detecção em amostra clínica de um paciente nos EUA foi reportada em 5 de janeiro de 2026.

Até 11 de fevereiro de 2026, a BA.3.2 havia sido detectada nos Estados Unidos em swabs nasais autocoletados de quatro viajantes, amostras clínicas de cinco pacientes, três amostras de águas residuais de aviões e 132 amostras de vigilância de águas residuais em 25 estados. A BA.3.2 foi reportada por pelo menos 23 países.

E o Brasil? Até o momento, não há confirmação oficial da presença da variante no território nacional. Mas diante da velocidade de circulação global, seria ingênuo achar que isso vai durar muito tempo.

Os Sintomas São Diferentes?

Aqui vai uma informação importante para você não entrar em pânico mas também não baixar a guarda.

Não existem dados específicos publicados sobre os sintomas da BA.3.2. No entanto, com base no que sabemos sobre outras subvariantes da Ômicron, os sintomas esperados são consistentes com variantes recentes: tosse, produção de catarro, dor de garganta, coriza, fadiga, febre, dores no corpo, dor de cabeça e, em alguns casos, sintomas gastrointestinais como náusea ou diarreia.

Ou seja: não existe, até agora, um sinal clínico novo que diferencie claramente a Cicada das variantes anteriores. O que isso significa na prática? Que você pode estar com a Cicada e achar que é uma gripe comum. Por isso o teste continua sendo fundamental para um diagnóstico correto.

Ela é Mais Perigosa?

Essa é a pergunta que todo mundo quer responder e a ciência, por enquanto, traz uma notícia tranquilizadora.

Até o momento, não há evidências de que a BA.3.2 esteja associada ao aumento da gravidade da doença. Não houve aumento de hospitalizações, internações em UTI ou mortes nos locais onde a variante foi detectada.

Mas aqui é onde precisamos ser honestos! Isso não significa que todos estão igualmente protegidos. Como outras variantes, a BA.3.2 pode causar doença mais séria em grupos vulneráveis. Estamos falando de idosos, imunossuprimidos, pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, diabéticos e gestantes. Para esse público, qualquer onda de COVID-19 merece atenção redobrada.

A Vacina Ainda Protege?

As vacinas de COVID-19 de 2025-2026 foram desenvolvidas para combater a linhagem JN.1 e seu descendente LP.8.1. A BA.3.2 apresenta 70 a 75 diferenças genéticas significativas na proteína spike em comparação com esses antígenos, o que pode reduzir parcialmente a eficácia da vacina contra infecção.

Mas atenção: reduzir parcialmente não é o mesmo que não proteger. Com base no que sabemos sobre outras variantes da Ômicron, espera-se que as vacinas ainda ofereçam proteção substancial contra doença grave, hospitalização e morte, mesmo que a proteção contra infecção leve seja menor.

Estudos com variantes anteriores da Ômicron mostraram que, embora a eficácia da vacina contra infecção diminua com o tempo e com novas subvariantes, a proteção contra hospitalização permanece substancial, variando de 72% a 97% dependendo da subvariante e do número de doses.

O Que Fazer Agora?

Sem alarmismo, mas sem descuido. Aqui está o que é recomendado:

1. Mantenha a vacinação em dia especialmente se você pertence a um grupo de risco. A vacina continua sendo a principal arma contra doença grave.

2. Se tiver sintomas respiratórios, teste-se a Cicada é clinicamente indistinguível de gripe ou outras infecções respiratórias. Só o teste diferencia.

3. Fique atento aos grupos vulneráveis idosos, cardiopatas, diabéticos, imunossuprimidos e gestantes precisam de cuidado redobrado se houver uma nova onda.

4. Não ignore sintomas persistentes: febre que não passa, falta de ar ou piora progressiva são sinais de que você precisa de avaliação médica, independentemente da variante.

5. Acompanhe as atualizações essa é uma situação em evolução. Novas informações surgem regularmente.

O Vírus Continua Evoluindo E Nós Precisamos Acompanhar

A Cicada nos lembra de algo que precisamos aceitar: o SARS-CoV-2 não vai desaparecer. Ele vai continuar mudando, testando nossas defesas imunológicas, exigindo atualização das vacinas e vigilância constante das autoridades de saúde.

Isso não é motivo de pânico. É motivo de atenção.

A pandemia ficou para trás, mas o vírus ainda está entre nós e a melhor resposta a isso sempre será a mesma: informação de qualidade, vacinação em dia e cuidado com quem é vulnerável.

Se você tiver dúvidas sobre sua situação de saúde, seu esquema vacinal ou sintomas que estejam te preocupando, procure orientação médica.

Para um acompanhamento personalizado da sua saúde cardiovascular e orientações sobre como sua dieta impacta seu coração, convido você para uma consulta. Cuide de você com orientação profissional.

Agende sua consulta: wa.me/5511930433976

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