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VACINA DA GRIPE: o que muitos não sabem!

VACINA DA GRIPE: o que muitos não sabem!

Tudo o que o Seu Coração Precisa Saber

O CENÁRIO DA GRIPE NO BRASIL EM 2026

DADOS OFICIAIS 2026
14.300 casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) aproximadamente 840 óbitos até meados de março de 2026, 28,1% dos casos graves.
Fonte: Ministério da Saúde, Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza 2026

Quase 1 em cada 3 casos graves de doença respiratória no Brasil neste ano foi causado pela influenza. E o inverno ainda nem chegou quando esses dados foram registrados.

A campanha nacional de vacinação 2026 começou em 28 de março e vai até 30 de maio exceto na Região Norte, que tem calendário próprio no segundo semestre, por razões climáticas e epidemiológicas. O objetivo do Ministério da Saúde é vacinar pelo menos 90% dos grupos prioritários, estimados em 79,4 milhões de brasileiros.

GRIPE NÃO É RESFRIADO: ENTENDA A DIFERENÇA

Família do coração, esse é um dos enganos mais comuns que vejo. Todo mundo já disse “estou gripado” quando na verdade estava resfriado. Mas a diferença é enorme:

RESFRIADO
Início gradual e progressivo
Febre rara ou de baixo grau
Coriza e espirros predominam
Raramente causa complicações graves
Dura 3 a 5 dias na maioria dos casos
GRIPE (INFLUENZA)
Início ABRUPTO em horas
Febre alta, frequentemente acima de 38°C
Dor muscular intensa, prostração, cefaleia
Pode evoluir para pneumonia, UTI e óbito
Dura 7 a 14 dias, ou mais nos grupos de risco

POR QUE A GRIPE É PERIGOSA PARA O SEU CORAÇÃO?

Agora vou te contar o que pouquíssimas pessoas sabem e que me faz recomendar a vacina da gripe para TODOS os meus pacientes cardíacos como parte do tratamento.

Quando o vírus da influenza entra no seu corpo, ele não fica só nos pulmões. Ele desencadeia uma tempestade inflamatória que pode afetar diretamente o coração.

A INFLUENZA PODE PROVOCAR:
Liberação de citocinas inflamatórias que desestabilizam placas de gordura nas artérias
Formação de coágulos aumentando o risco de infarto e AVC
Taquicardia e sobrecarga cardíaca causadas pela febre alta
Em casos graves, invasão direta do músculo cardíaco (miocardite)
O QUE DIZ A CIÊNCIA Os estudos são claros: a gripe eleva de forma expressiva o risco cardiovascular na semana seguinte à infecção. Uma meta-análise de 2025 quantificou esse risco em pacientes com infecção confirmada em laboratório: Na 1ª semana após gripe confirmada: Risco de infarto aumenta mais de 5 vezes Risco de AVC aumenta mais de 4 vezes E quem estava vacinado naquela temporada? Os estudos mostram redução significativa desse excesso de risco cardiovascular nos vacinados, da ordem de 26 a 36% nos grandes ensaios clínicos randomizados. Fontes: Meta-análise 2025 (risco pós-infecção) | Modin et al., European Journal of Heart Failure 2023 | IAMI Trial, Circulation 2021

Mas veja que dado impressionante: um estudo dinamarquês recente analisou 9 temporadas consecutivas de gripe e mostrou que esse excesso de risco cardiovascular foi substancialmente menor nos pacientes que estavam vacinados naquela temporada. Os pesquisadores pedem mais estudos confirmatórios, mas a direção dos dados é consistente com tudo o que já sabemos sobre inflamação e doença arterial.

O ESTUDO IAMI, O MAIOR ENSAIO CLÍNICO DO TEMA

Publicado na Circulation (American Heart Association, 2021), o estudo IAMI foi o maior ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo sobre vacina da gripe e eventos cardiovasculares. Foram 2.571 pacientes em 30 centros de 8 países, vacinados nas primeiras 72 horas após infarto ou em coronariopatia de alto risco.Resultado: vacina reduziu em 28% o desfecho composto (morte, novo infarto, trombose de stent) e em 41% a mortalidade cardiovascular, mesmo em pacientes já em uso de aspirina, estatinas e outros remédios de coração.Em outras palavras: a vacina se somou ao tratamento e ainda assim fez diferença. Não é para substituir seus remédios é mais uma camada de proteção.Fröbert O et al. Circulation. 2021;144:1476–1484.

A meta-análise de Modin et al., publicada no European Journal of Heart Failure (2023), reuniu os principais ensaios clínicos da área e encontrou reduções consistentes nos pacientes com doença cardiovascular: 26% nos eventos cardiovasculares graves, 37% na mortalidade cardiovascular e 28% na mortalidade geral.

Tudo isso somado me faz dizer com convicção: para meus pacientes cardíacos, a vacina da gripe é parte do tratamento, não é opcional.

OS MEDOS MAIS COMUNS E A VERDADE SOBRE A VACINA

MITO 1: “A vacina me deixa doente”

❌ MITOA vacina da gripe disponível no Brasil tanto a trivalente do SUS quanto a quadrivalente da rede privada é feita com vírus INATIVADO ou fragmentado. O vírus está morto. É impossível tomar a vacina e contrair gripe por causa dela.O que acontece às vezes: a vacina é tomada exatamente quando a pessoa já estava incubando um vírus e a doença aparece nos dias seguintes. Não é a vacina. É coincidência de tempo. É como culpar o guarda-chuva pela chuva que já estava chegando.

MITO 2: “Minha imunidade é boa, não preciso”

NÃO É BEM ASSIM! Ter boa imunidade não te protege da inflamação sistêmica que a gripe provoca nas artérias. Mesmo pessoas aparentemente saudáveis podem ter uma resposta inflamatória exagerada. E se você tem hipertensão, diabetes, colesterol alto ou doença cardíaca, seu risco cardiovascular durante a gripe é ainda maior.

MITO 3: “Tomei ano passado, estou protegido”

FALSO! Precisa tomar TODO ANO.O vírus influenza muta rapidamente muda sua “roupa” toda temporada. A composição da vacina é atualizada anualmente pela OMS para acompanhar as cepas em circulação. A proteção conferida pela vacina dura em média 12 meses.Pensa assim: é como trocar a senha do seu banco. Você não usa a mesma para sempre, porque os riscos mudam. A vacina funciona da mesma forma.

MITO 4: “Tenho alergia ao ovo, não posso tomar”

PODE SIM, A CIÊNCIA ATUALIZOU ESSA RECOMENDAÇÃO!Durante anos, orientávamos observação especial para quem tinha alergia grave ao ovo. Mas as diretrizes do CDC e do ACIP foram revisadas a partir da temporada 2022–2023 e reafirmadas até 2026:Qualquer pessoa com alergia ao ovo inclusive com histórico de anafilaxia pode receber qualquer vacina contra influenza aprovada para sua faixa etáriaNão são necessárias medidas adicionais de segurança além das recomendadas para qualquer vacinadoTodos os locais de vacinação já devem estar equipados para reconhecer e tratar reações alérgicas isso vale para qualquer vacina, independentemente de alergia A única exceção real: se você teve reação alérgica grave a uma dose anterior da própria vacina contra influenza (não ao ovo), aí sim, seu médico precisa avaliar antes.Fonte: CDC/ACIP — MMWR Recommendations, temporadas 2022–2026.

MITO 5: “A vacina causa AVC”

MUITO PELO CONTRÁRIO, a vacina NÃO causa AVCNão existe evidência científica de que a vacina da gripe cause AVC. Essa afirmação vai na contramão da ciência. Ao contrário: evitar a infecção pela influenza é uma das formas de reduzir o risco de eventos cardiovasculares, incluindo o AVC já que a gripe em si pode aumentar o risco de eventos vasculares agudos nas semanas seguintes à infecção.Estudos observacionais sugerem possível efeito protetor da vacina contra AVC. Nos ensaios clínicos randomizados os resultados são mais heterogêneos para esse desfecho específico, com proteção mais consistente para infarto e mortalidade cardiovascular mas o que é certo é que a vacina não causa AVC.

QUEM DEVE SE VACINAR: GRUPOS PRIORITÁRIOS 2026

A Campanha Nacional 2026 do Ministério da Saúde definiu os grupos que têm acesso GRATUITO à vacina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Veja se você ou alguém da sua família se encaixa:

GRUPOS PRIORITÁRIOS PARA VACINA GRATUITA NO SUS 2026
Crianças de 6 meses a 5 anos (menores de 6 anos)
Gestantes em qualquer fase da gravidez
Puérperas até 45 dias após o partoIdosos com 60 anos ou mais
Profissionais de saúdeProfessores da educação básica e superior
Pessoas com doenças crônicas: cardíacas, diabetes, hipertensão, obesidade e outras
Pessoas com deficiência permanente
Povos indígenasForças de segurança: militares, bombeiros, policiais, guardas municipais
Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas
População privada de liberdade

Fonte: Ministério da Saúde — Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza 2026 (gov.br/saude).

Não está nessa lista? Não precisa ficar sem proteção. Nas clínicas privadas de vacinação, qualquer pessoa a partir de 6 meses pode se vacinar, com ou sem prescrição médica.

TIPOS DE VACINA: TRIVALENTE VS. QUADRIVALENTE

Família do coração, essa parte é importante e muita gente não sabe que existe mais de um tipo. Deixa eu explicar de forma simples:

TRIVALENTE✔  Disponível GRATUITAMENTE no SUS
Protege contra 3 cepas:Influenza A (H1N1)Influenza A (H3N2)Influenza B (1 linhagem)
QUADRIVALENTE / TETRAVALENTE✔  Rede privada de vacinação
Protege contra 4 cepas:Influenza A (H1N1)Influenza A (H3N2)Influenza B (linhagem Victoria)Influenza B (linhagem Yamagata)
PARA IDOSOS ACIMA DE 60 ANOS: A EFLUELDA®Na rede privada, existe uma opção especial para maiores de 60 anos: a Efluelda®, vacina tetravalente de alta dose. Ela contém 60 microgramas de hemaglutinina por cepa, 4 vezes mais que a dose padrão (15 microgramas). Isso é importante porque, com a idade, nosso sistema imune responde com menos vigor a vacinas. Estudos mostram que essa formulação de alta dose aumenta a eficácia em cerca de 24% nessa faixa etária comparada à dose padrão. Pergunte ao seu médico se é indicada para você.Fontes: ACIP/CDC; SBIm (familia.sbim.org.br).

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda preferencialmente a quadrivalente, pelo maior espectro de proteção ela cobre as duas linhagens do vírus B, o que é relevante porque nos últimos anos ambas circularam simultaneamente. Mas se você não tiver acesso a ela, a trivalente do SUS já é excelente. O pior cenário é não se vacinar.

COMO TOMAR: PASSO A PASSO

No SUS (Gratuitamente)

  • Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima
  • Leve documento de identidade (RG, CPF ou CNH)
  • Se tiver, leve a caderneta de vacinação
  • A vacina é aplicada no músculo do braço, rápido e simples

Atenção especial para crianças:

Crianças de 6 meses a 8 anos que nunca se vacinaram: precisam de 2 doses, com intervalo mínimo de 30 diasCrianças já vacinadas anteriormente: apenas 1 dose

EFEITOS COLATERAIS: O QUE ESPERAR

Vou ser honesto com você, como sempre: a vacina pode causar algumas reações. Mas são reações esperadas, sinal de que o seu sistema imune está trabalhando.

REAÇÕES COMUNS (normais e passageiras)
Dor e vermelhidão no local da injeção
Febre baixa (rara)
Dor muscular leve
Mal-estar passageiro, geralmente resolvido em 1 a 3 dias
QUANDO PROCURAR MÉDICO (raro)
Reação alérgica intensa (dificuldade respiratória, inchaço generalizado)
Febre alta acima de 39°C persistente
Sintomas que durem mais de 3 dias após a vacinação
(Reações graves são extremamente raras: cerca de 1,35 por milhão de doses — CDC/VAERS)

Os postos de saúde pedem que você aguarde 15 minutos após a vacinação para monitorar qualquer reação imediata. É por segurança procedimento padrão para qualquer vacina.

QUANDO NÃO TOMAR A VACINA

Existem algumas situações em que é preciso aguardar ou avaliar com cuidado:

  • Alergia grave (anafilaxia) a um componente específico da vacina não ao ovo (veja acima), mas a outros componentes como neomicina ou gelatina
  • Reação alérgica grave a uma dose anterior da própria vacina anti-influenza nesses casos, avalie com médico qual formulação usar
  • Febre alta no dia da vacinação espere melhorar e retorne
  • Doença aguda grave em andamento aguarde a recuperação
  • Síndrome de Guillain-Barré ocorrida dentro de 6 semanas após dose anterior de vacina anti-influenza avaliação médica obrigatória antes de nova dose

Lembre: alergia leve ao ovo, alergia a outros alimentos e doenças crônicas controladas NÃO são contraindicações. Dúvida? Converse com seu médico.

FONTES E REFERÊNCIAS

  • Ministério da Saúde — Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza 2026 (gov.br/saude)
  • Agência Brasil — Cobertura da Campanha Nacional 2026
  • Fröbert O et al. Influenza Vaccination after Myocardial Infarction: IAMI Trial. Circulation. 2021;144:1476–1484.
  • Modin D et al. Influenza vaccine and cardiovascular outcomes — meta-analysis. European Journal of Heart Failure. 2023.
  • Scientific Reports / Nature (2023) — meta-análise: vacinação influenza e risco cardiovascular maior
  • CDC/ACIP — MMWR Recommendations: Prevention and Control of Seasonal Influenza with Vaccines, 2025–26.
  • CDC — Flu Vaccines and People with Egg Allergies (atualizado 2023–2026): nenhuma medida adicional para alérgicos ao ovo.
  • Instituto Butantan — Vacina da gripe, doenças cardiovasculares e AVC.
  • Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) — Vacinas: gripe/influenza (familia.sbim.org.br).
  • American Heart Association / ACC — Influenza vaccination: Class I recommendation for CVD patients.
AVISO MÉDICO IMPORTANTEEste post tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui consulta médica. Cada paciente tem sua história clínica e necessidades individuais. Sempre consulte um profissional de saúde antes de tomar decisões sobre vacinação ou tratamento.

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