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Sintomas de Ebola: o que você precisa saber!

Sintomas de Ebola: o que você precisa saber!

Antes de qualquer coisa, eu posso afirmar: para a grande maioria dos brasileiros, o risco de contrair Ebola é extremamente baixo. Mas entender como a doença funciona é parte do que nos torna mais conscientes e menos vulneráveis à desinformação.

O que é a doença de Ebola e por que ela voltou a ser assunto

O Ebola é causado por um grupo de vírus chamados ebolavírus, encontrados principalmente na África Subsaariana. A doença tem uma taxa de letalidade que pode variar entre 25% e 90% dependendo do surto e das condições de atendimento médico disponíveis, segundo dados históricos compilados pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) e pela Organização Mundial da Saúde.

A doença não é nova. O primeiro surto documentado ocorreu em 1976 no Congo e no Sudão. O maior surto da história aconteceu entre 2014 e 2016 na África Ocidental, com mais de 28 mil casos e mais de 11 mil mortes. Mais recentemente, surtos menores continuam ocorrendo em regiões específicas do continente africano, o que mantém o tema relevante para a vigilância epidemiológica global.

Sintomas de Ebola: como a doença progride no corpo

Conforme documentado pelo CDC, os sintomas da doença de Ebola aparecem entre 2 e 21 dias após a exposição ao vírus. Em média, as pessoas começam a apresentar sintomas entre 8 e 10 dias após o contato com o vírus.

A progressão da doença segue uma lógica que os médicos dividem em duas fases. Gosto de explicar para meus pacientes que é como se o vírus tivesse dois momentos distintos de ataque ao organismo.

Fase inicial: os sintomas “secos”

No início, os sintomas são inespecíficos e chamados de “secos”, o que significa que não envolvem fluidos corporais de forma intensa. São eles:

  • Febre
  • Dores musculares e nas articulações
  • Dor de cabeça intensa
  • Fraqueza e fadiga acentuada
  • Dor de garganta

O problema dessa fase inicial é exatamente a inespecificidade. Os profissionais de saúde podem confundir o Ebola com outras doenças infecciosas mais comuns, como malária, influenza, febre tifoide, meningococo e outras infecções bacterianas como pneumonia. Isso é relevante porque, em regiões onde o Ebola circula, esse diagnóstico diferencial precisa ser feito com rapidez.

Fase avançada: os sintomas “úmidos”

Após quatro a cinco dias de doença, os pacientes podem progredir para os chamados sintomas “úmidos”, à medida que o quadro clínico se agrava. Esses sintomas incluem:

  • Perda de apetite
  • Sangramento inexplicável
  • Náuseas
  • Dor abdominal
  • Diarreia intensa
  • Vômitos

Outros sintomas que podem surgir incluem dor no peito, falta de ar, confusão mental, olhos avermelhados, erupção cutânea, soluços e convulsões.

Os pacientes que morrem em decorrência da doença de Ebola geralmente desenvolvem sintomas mais graves nos estágios iniciais da doença. Já os pacientes que sobrevivem podem ter febre por vários dias e começam a melhorar cerca de seis dias após o início dos sintomas.

Quem está em risco de contrair Ebola?

Essa é a pergunta que mais recebo quando o tema aparece na mídia. E a resposta honesta é: o risco está diretamente ligado ao contato com o vírus em condições específicas.

O Ebola não se transmite pelo ar, por água ou por alimentos. Ele se transmite pelo contato direto com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Isso muda completamente o perfil de risco.

Os grupos com maior risco são:

  • Profissionais de saúde que trabalham em regiões com surtos ativos sem equipamento de proteção individual adequado
  • Familiares e pessoas que cuidam diretamente de doentes infectados
  • Pessoas que participam de rituais funerários com contato físico com o corpo do falecido, prática comum em algumas culturas africanas onde os surtos ocorrem
  • Pesquisadores e viajantes que estiveram em regiões com transmissão ativa

Para quem está no Brasil, sem histórico de viagem recente para regiões da África com surtos ativos e sem contato com pessoas vindas dessas áreas, o risco é praticamente inexistente neste momento.

Quais são as sequelas para quem sobrevive ao Ebola?

Esse é um ponto que pouca gente discute, mas que a ciência tem documentado com crescente profundidade. Sobreviventes da doença de Ebola podem apresentar complicações de longo prazo, como fadiga persistente, dores de cabeça, dores musculares e articulares, problemas de visão como visão turva, dor, vermelhidão e sensibilidade à luz, além de ganho de peso e dor abdominal.

Outros problemas documentados incluem perda de memória, boca seca, aperto no peito, queda de cabelo, problemas auditivos, dor ou formigamento nas mãos e nos pés, inflamação ao redor do coração, inflamação nos testículos, alterações menstruais, impotência, dificuldade para dormir, depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático.

Como cardiologista, chamo atenção para a inflamação do pericárdio, o tecido que envolve o coração, como uma das sequelas documentadas. Isso reforça que doenças virais graves não são apenas um episódio agudo. Elas podem deixar marcas duradouras no sistema cardiovascular e em todo o organismo.

Mitos e perguntas frequentes sobre o Ebola

O Ebola pode chegar ao Brasil por viagem aérea?

Teoricamente, uma pessoa infectada poderia embarcar em um avião antes de desenvolver sintomas evidentes, já que o período de incubação pode chegar a 21 dias. No entanto, há mecanismos de vigilância nos aeroportos internacionais para justamente identificar viajantes provenientes de regiões com surtos ativos. Além disso, o vírus só é transmitido quando a pessoa já está sintomática, o que reduz significativamente o risco de transmissão em trânsito.

Existe vacina contra o Ebola?

Sim. A vacina rVSV-ZEBOV, comercializada como Ervebo, foi aprovada pela agência regulatória americana FDA em 2019 e é usada em estratégias de vacinação em anel nas regiões com surtos ativos, imunizando os contatos próximos de casos confirmados. No Brasil, ela não faz parte do calendário de vacinação padrão, pois a doença não circula aqui.

Todo sangramento em febre alta pode ser Ebola?

Não. Febre hemorrágica é um síndrome que pode ser causada por vários vírus, incluindo a dengue, que sim, circula amplamente no Brasil. O sangramento associado ao Ebola é um sinal de fase avançada da doença e ocorre em um contexto clínico muito específico. Se você está com febre e qualquer sinal de sangramento, procure atendimento médico, mas o diagnóstico diferencial deve ser feito por um profissional, não pelo Google.

O que fazer se você suspeitar de exposição ao Ebola?

Se você acredita ter sido exposto a alguém com a doença de Ebola e está apresentando sinais e sintomas compatíveis, entre em contato imediatamente com seu médico ou com a secretaria estadual de saúde. Não vá a uma unidade de pronto-atendimento sem antes comunicar, pois o controle de infecção é fundamental para proteger outros pacientes e profissionais de saúde.

O que esse tema tem a ver com a saúde do coração?

Família do coração, trago esse tema porque a saúde cardiovascular não existe isolada do resto do organismo. Doenças infecciosas graves, como o Ebola, a COVID-19 e outras febres virais hemorrágicas, têm impacto direto no coração. A miocardite, a pericardite e as arritmias são complicações documentadas em diversas infecções virais severas.

Além disso, minha missão aqui é que você tenha informação de qualidade para tomar decisões melhores sobre a sua saúde. Em um momento em que o tema aparece nas tendências de busca, é muito melhor que você encontre uma explicação baseada em ciência do que cair em notícias alarmistas ou minimizadoras.

Prevenção e vigilância: o que você pode fazer

  • Se você tem planos de viagem para regiões da África com surtos ativos, consulte as orientações atualizadas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde antes de embarcar
  • Profissionais de saúde que atuam em contextos de risco devem seguir rigorosamente os protocolos de equipamento de proteção individual
  • Fique atento a sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, fraqueza importante e dor muscular severa após qualquer viagem internacional recente e procure avaliação médica
  • Não compartilhe informações sobre surtos sem verificar a fonte. O pânico é tão prejudicial quanto a negligência

Eu posso afirmar, com base em décadas de acompanhamento da medicina e da saúde coletiva, que a vigilância informada é sempre mais eficaz do que o medo desinformado.

Se você tem dúvidas sobre sua saúde cardiovascular, sobre como infecções podem impactar o coração ou sobre qualquer sintoma que esteja te preocupando, a melhor decisão é conversar com um especialista.

Agende sua consulta: wa.me/5511930433976

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Fonte: CDC.