Você sabia que a perda de peso média observada em estudos com a tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, chegou a quase 21% em 36 semanas, número que se aproxima dos resultados de uma cirurgia bariátrica sem precisar de bisturi? Família do coração, hoje quero compartilhar com vocês tudo o que precisam saber sobre o Mounjaro, a famosa caneta emagrecedora do momento.
Antes de qualquer coisa, eu posso afirmar algo que considero fundamental: obesidade não é falta de força de vontade. É uma doença crônica e multifatorial, na qual o próprio corpo luta contra o emagrecimento através de mecanismos hormonais. Entender isso é o primeiro passo para entender por que um remédio como o Mounjaro existe e por que ele não é, de forma alguma, um atalho fácil.
Como o Mounjaro funciona no corpo
O Mounjaro atua simultaneamente em dois hormônios produzidos no intestino: o GLP-1 e o GIP. Essa ação dupla reduz a fome, diminui o impulso por comida, aumenta a saciedade, ajuda no controle do açúcar no sangue ao agir na insulina e retarda o esvaziamento do estômago.
Eu sei o que você está pensando: então é só usar e o peso some sozinho. Não é mágica. O remédio facilita o déficit calórico, fazendo com que a pessoa ingira menos calorias ao longo do dia. O trabalho ainda é do paciente, o medicamento só torna esse caminho mais viável.
Por que o Mounjaro virou o remédio mais famoso do momento
A obesidade está associada ao aumento de riscos de câncer, infarto, AVC, diabetes, pressão alta e demência. É por isso que esse tema interessa tanto a um cardiologista quanto a qualquer outro especialista preocupado com a saúde do paciente como um todo.
Nos estudos científicos, como o Surmount-4, a média de perda de peso com a tirzepatida foi de aproximadamente 20,9% após 36 semanas. Os estudos também mostram melhorias na pressão arterial, na glicose, no colesterol e na gordura no fígado, especialmente quando o uso é associado a um bom estilo de vida.
Mounjaro versus Ozempic: qual é a diferença
Essa é uma das perguntas que mais recebo. O Wegovy e o Ozempic contêm semaglutida, que age apenas no hormônio GLP-1. Já o Mounjaro, com a tirzepatida, age tanto no GLP-1 quanto no GIP.
Na prática, o Mounjaro proporciona uma perda de peso média ligeiramente maior, cerca de 20% contra 13% em estudos de 72 semanas, e costuma apresentar uma frequência um pouco menor de náuseas, diarreia e vômitos quando comparado à semaglutida, embora ambos os medicamentos possam causar esses efeitos. O Mounjaro também costuma ter um custo financeiro mais elevado.
Para quem o Mounjaro é indicado
Segundo a bula, as indicações principais são para adultos com diabetes tipo 2, adultos com obesidade e apneia do sono moderada a grave, e para perda de peso em adultos com IMC acima de 30, ou acima de 27 quando há pelo menos uma comorbidade associada, como pressão alta ou problemas cardíacos.
Não é um remédio para uso meramente estético ou para perder pouca quantidade de peso.
Quem não deve usar o Mounjaro
O Mounjaro é contraindicado para gestantes, mulheres que estão amamentando ou planejando engravidar, devendo ser suspenso pelo menos um mês antes da gestação, pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, portadores da síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2, pacientes com histórico de pancreatite, pessoas com doenças gastrointestinais graves e pessoas com alergia grave aos componentes da fórmula.
Pacientes que passarão por cirurgias ou procedimentos com anestesia também precisam suspender o medicamento, devido ao risco de broncoaspiração.
Efeitos colaterais comuns
Os principais efeitos afetam o trato gastrointestinal, incluindo náuseas, diarreia, vômitos, constipação, dor abdominal, refluxo e arrotos. Também podem ocorrer fadiga, tontura e queda de cabelo, geralmente associada à perda rápida de peso e à baixa ingestão de nutrientes.
Efeitos raros, porém graves, incluem pancreatite, pedra na vesícula, piora da função renal por desidratação e hipoglicemia, especialmente em quem já utiliza outros medicamentos para diabetes.
Se eu parar de usar, o peso volta tudo de novo?
Sim. A maioria das pessoas recupera o peso, ou grande parte dele, ao interromper o medicamento.
Como a obesidade é uma doença crônica, quando o remédio é retirado, os mecanismos hormonais voltam ao estado anterior, aumentando a fome e reduzindo o gasto energético. Por se tratar de um tratamento de longo prazo, muitas vezes os médicos optam pelo desmame gradual ou pela manutenção de uma dose baixa, justamente para evitar o reganho de peso.
Os maiores erros de quem usa Mounjaro
- Achar que o remédio faz tudo sozinho e não praticar atividades físicas
- Subir a dosagem rápido demais, aumentando as chances de passar mal
- Comer pouca proteína e não seguir uma dieta equilibrada, o que resulta em perda de músculos e fraqueza
- Não beber água adequadamente, já que o remédio reduz a sensação de sede e pode gerar desidratação e prisão de ventre
- Treinar pesado sem se alimentar corretamente
- Utilizar o medicamento sem o devido acompanhamento médico
- Comprar versões manipuladas, contrabandeadas ou falsificadas, sem garantia dos órgãos reguladores
- Interromper o uso de forma abrupta e por conta própria
Mitos e verdades sobre o Mounjaro
Não é um hormônio milagroso. Os resultados variam de organismo para organismo.
Não causa dependência química nem crise de abstinência. O reganho de peso ocorre porque a doença crônica volta a agir quando a medicação é retirada, não por uma dependência física do remédio.
Não derrete músculos, desde que o paciente mantenha ingestão adequada de proteínas e pratique exercícios de força.
Não é um remédio estético para quem já está no peso ideal.
Não substitui hábitos saudáveis, incluindo a necessidade de reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
É verdade que o peso tende a voltar se o tratamento for interrompido sem uma estratégia adequada de manutenção e estilo de vida.
O que vale a pena levar deste post
- O Mounjaro age em dois hormônios, GLP-1 e GIP, reduzindo fome e aumentando saciedade
- Estudos como o Surmount-4 mostraram perda de peso média de quase 21% em 36 semanas
- A diferença em relação ao Ozempic está no mecanismo duplo de ação e, em geral, em uma perda de peso um pouco maior
- O uso correto exige indicação médica, dosagem progressiva, boa hidratação e ingestão adequada de proteína
- Existem contraindicações importantes, incluindo gestação e histórico de certos tipos de câncer de tireoide
- A interrupção do tratamento sem planejamento tende a levar ao reganho de peso
Prevenção e acompanhamento sempre em primeiro lugar
O Mounjaro é uma ferramenta poderosa no tratamento da obesidade, mas ferramenta poderosa exige uso responsável e acompanhamento profissional. Eu não posso prescrever esse ou qualquer outro medicamento por aqui, e por isso reforço sempre a importância de conversar com seu médico antes de iniciar qualquer tratamento, avaliando seu histórico de saúde, especialmente o cardiovascular.
Família do coração, obesidade trata-se com ciência, acompanhamento e paciência, nunca com atalhos sem supervisão. Se você tem dúvidas sobre como sua saúde do coração se conecta ao seu peso, eu estou aqui para te ajudar.
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